quinta-feira, 11 de junho de 2015

DÁ-LHE PORCO!

Fonte: Reprodução/Placar


O Palestra Itália foi fundado em 1914 e, naquele tempo, os imigrantes italianos sofriam preconceitos pela elite paulistana.

Vale lembrar: 

Os humildes italianos, logo em seus primeiros tempos de lavoura no interior do Estado de São Paulo, já eram chamados de Carcamanos e Porcos. Isso se alastrou na Capital, nas fábricas e comércio geral.

Os palestrinos eram assim chamados (Porcos!), com profundo preconceito da elite.

Frise-se que, até a década de 30 do século passado, o futebol era praticado, sobretudo, por clubes de elite, sendo o Palestra Itália e o Corinthians os grandes rebeldes (vilões) desse status quo então vigente.

O Paulistano, clube de elite, desistiu do futebol em 1929, por não concordar com a popularização desse esporte bretão.

O jeito informal dos italianos, que às vezes arrotavam em público e que nas inúmeras festas não se faziam de rogado e pegavam os alimentos com as mãos, fizeram a sociedade quatrocentona dos barões do café denominá-los pela alcunha de porcos. As pessoas de outras colônias, se aproveitando disso e em tom de provocação, também usavam o apelido de porco, para se referir aos italianos de São Paulo e para o clube vinculado a essa colônia, o Palestra.

A discriminação se agravou durante a Segunda Guerra Mundial, mormente a partir de 1942, quando o Brasil declarou guerra aos países do Eixo do qual a Itália de Mussolini fazia parte.

O Palestra, então, mudou de nome para Palmeiras, mas continuou sendo chamando de time dos porcos italianos.

Em 1969, corinthianos levaram a um clássico com o Palmeiras um suíno, porquinho, como forma de provocação, revivendo o apelido, que a partir de então não parou mais de ser dito, como forma de insulto, por sãopaulinos, santistas, lusos e coritnthianos, aos palmeirenses.

A virada!

Nos anos 80, os palmeirenses adotaram o porco como mascote, de forma inteligente pelas torcidas organizadas e pelos torcedores comuns.

Em 1986, de forma emblemática o Jorginho, principal jogador do Palmeiras da época, chegou a estampar a Revista Placar segurando, carregando um suíno, em alusão ao mascote esmeraldino. 

Para terminar, o famoso grito de "olê, Porco, Porco", porém, só passou a ser cantado nas arquibancadas pelos alviverdes, no então Parque Antárctica, no começo dos anos 90, pois, nessa época, o apelido passou praticamente a ser enterrado pelos adversários que passaram a não gostar de gritar nos estádios o nome do novo mascote do clube palmeirense. Vale dizer: o porco, cânticos que eram gritados pelas torcidas adversárias nos anos 70 e 80, passaram a não ser mais ouvidos nos anos 90, quando ele passou a ser gritado, então, pelos próprios palmeirenses, em uma tacada de marketing incrível, que reverteu um fator histórico  negativo em positivo.